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SMILES OFICIALIZA O COMÉRCIO DE MILHAS ENTRE USUÁRIOS

Em uma medida para combater o mercado ilegal de compra e venda de milhas, o programa de fidelidade Smiles, da Gol, agora permite que os usuários transfiram seus pontos para terceiros.

Hoje, as milhas são pessoais e intransferíveis. A pontuação não pode nem mesmo ser herdada em caso de morte do participante. A única alternativa permitida até então, não só na Gol como na TAM, na Azul e na Avianca, era que o participante emitisse um bilhete em nome de outra pessoa. Isso é muito comum em famílias -pais que emitem bilhetes para os filhos, por exemplo.

Ao permitir que o participante transfira as milhas -e não apenas emita o bilhete- para terceiros, a Gol, na prática, legaliza o comércio de milhas. Quem transferir pode tanto doar quanto vender as milhas. Para transferir as milhas, basta digitar o número Smiles do participante que vai receber a pontuação e o CPF. As transferências estão limitadas a 40 mil milhas por ano.

COMPRA DE MILHAS
Assim como fazem as empresas de compra e venda de milhas na internet, o Smiles agora também compra milhas, por meio do sistema eletrônico PayPal. Mas o preço pago pelo Smiles é bem inferior ao obtido no mercado negro. O Smiles paga R$ 150 no PayPal por 12 mil milhas. Sites como Hotmilhas pagam R$ 200 por 10 mil milhas. Usando a mesma taxa de conversão, dá R$ 240 por 12 mil, ou 60% a mais que o preço pago pela companhia.

O programa Smiles nasceu com a Varig, adquirida pela Gol, e hoje conta com 10 milhões de participantes. As novas regras valem para todo o estoque de milhas do participante. Não importa se foram acumuladas no cartão de crédito ou em voos de empresas aéreas parceiras da Gol, como Delta e Air France.

O crescimento do mercado paralelo de milhas é uma preocupação para o setor. Não há dados sobre o volume de milhas negociadas no paralelo, mas empresas que anunciam abertamente na internet, como o site Hotmilhas, acenderam um alerta.

As empresas que administram programas de fidelização -como Smiles, Multiplus e Dotz- estudam criar uma associação de classe para se posicionar a respeito.

"Combater a ilegalidade é a pauta número um do setor", diz Boanerges Ramos Freire, sócio da Boanerges & Cia, consultoria em varejo financeiro.

Para Freire, o mercado paralelo de milhas desvirtua a lógica dos programas de fidelização pois reduz a "taxa de perda" de milhas, que são os pontos não resgatados.

FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO, 29/11/2013